
Ser homem não é uma tarefa nada fácil. E eu que o diga! Para mim ser homem e agir como um homem é muito complicado. Dá-me uma dor de cabeça que nem imaginam. Se eu pudesse, se eu tivesse as condições necessárias, eu não pensava duas vezes e hoje mesmo mudava de sexo. Sim! Sem demoras trocava o horrível pénis do meu corpo por uma vagina. E apesar de se ouvir dizer que ser mulher também não é tarefa fácil, eu preferia mesmo ser uma mulher. Adorava ter uns longos cabelos, umas unhas compridas e muito bem arranjadas, calçar sapatos de salto alto e vestir elegantes roupas e bem decotadas para realçar os meios seios.
Hoje com 31 anos eu tenho a certeza de que nasci no corpo errado. Deus nunca foi meu amigo, ele nunca olhou por mim e na hora de eu ser concebido ele estava de tal forma distraído que colocou a alma de uma mulher no corpo de um homem. Por causa desse seu erro eu já sofri imenso por todos os dias não aceitar essa minha condição. É complicado olhar-se ao espelho e ver nos meus olhos uma mulher que está presa a um corpo que não é o seu mas... a vida não é realmente fácil. Está longe de ser um mar de rosas e nem sempre há finais felizes. Apesar de saber que a natureza foi injusta comigo, apesar de já ter tentado seguir os caminhos necessários para que seja feita a correcção no meu corpo, a verdade é que com esta idade eu acho que já estou conformado com essa situação. Acho que já estou demasiado velho para mudanças radicas na minha vida e por isso, com algum custo eu levo a vida como um homem. Mas não é sobre mudanças que eu irei falar hoje. Eu já estou mesmo conformado com a minha situação de homem mas se há coisa que eu ainda não consegui foi habituar-me a estranhos hábitos masculinos. Eu volto a dizer: ser homem não é uma tarefa nada fácil e quando se é homem, somos sujeitos a alguns comportamentos que eu odeio. E sim, é sobre comportamentos de homens que eu irei falar hoje.

Um dos comportamentos masculinos que eu mais detesto é o acto de fazer a barba. Odeio mesmo! Tomara eu ter uma pele lisinha, uma pele de veludo que todos gostariam de tocar. Em vez dessa pele que eu tanto ambiciono, o meu rosto todos os dias sofre alterações com o aparecimento de pelos indesejados. Eu bem que gostaria que eles não voltassem ao meu rosto mas para além da injustiça de me terem feito homem, fizeram ainda com que eu fosse um autêntico macaco. Bem! Também não é preciso exagerar. Não posso negar que seja de facto muito peludo em todo o meu corpo. São os braços, as pernas, o peito, as costas em todo o lado se vê os malditos pelos. Eu gostaria de fazer uma depilação definitiva mas não sou muito céptico em relação a esses tratamentos. Para além de achar que irá ser doloroso, fico sempre com aquele pensamento pessimista de que não irá funcionar comigo. Daqueles que estão a ler este artigo, já alguém chegou a fazer uma depilação definitiva? E convosco resultou? Eu gostava que resultasse comigo mas não tenho como deixar o pensamento de lado. Acho sempre que vou gastar muito dinheiro, pois teria com certeza que passar por várias sessões e depois os pelos regressariam ao meu corpo. E não! Isso eu não queria que acontecesse. Já pensei em pegar numa gillette e raspar todo o meu corpo mas também não me parece uma boa ideia. Porquê carga de água Deus fez os homens com pelos em todos os lados?? Eu confesso que até gosto de homens peludos. Tenho um certo fetiche pelos peludos mas como para mim, basta ser homem para eu gostar, eu também tenho um fetiche por aqueles que são depilados.
Por muita experiência que já tenha em fazer a barba, pois acho que comecei bem cedo (aos 14 anos), eu acho que nunca vou conseguir habituar-me a fazê-la, ou dizendo da forma mais correcta, eu nunca vou habituar-me a desfazê-la. Infelizmente eu sou um homem de barba rija. Acordo pela manha e faço a barba, para por volta das 18 horas os pelos já andarem a aparecer no meu rosto. É um inferno! Por sorte eu não tenho sido obrigado a fazer a barba todos os dias. No entanto, quando em 1998 eu comecei a trabalhar num McDonald's, eu era obrigado a raspar o rosto com a gillette todos os dias sem excepção. Não podia de forma alguma apresentar-me ao restaurante com a barba por fazer. Foram dois anos e meio assim e eu quase que ia entrando em paranóia. Às vezes até fazia a barba no próprio local de trabalho e cheguei até a comprar uma maquina de barbear que não foi das melhores opções. A máquina aquecia muito o meu rosto e deixava-o todo vermelho, cheio de alergias. Enfim, era horrível! Agora, como tenho andado desempregado, já não tenho que ter a preocupação de fazer a barba todos os dias. Eu odeio ter pelos no meu rosto mas odeio ainda mais o acto de ter que tirar esses pelos. Por isso, muitas das vezes eu opto por um visual barbudo. Apenas aparo a barba com uma máquina de cortar cabelo e fico com aquele ar de quem tem a barba de três dias por fazer, que eu tanto adoro ver em outros homens. Mas vou aqui confidenciar uma coisa. O odio por desfazer dos pelos é tão grande que desde que fiquei desempregado nunca mais agarrei-me a uma gillette para raspar os pelos do rosto. E olha que eu já estou no desemprego desde o final de Dezembro de 2011. Desde essa data que eu ando sempre com a barba por fazer, o que deixava a minha mãe sempre revoltada.
Mas hoje o dia começou de forma diferente. Depois de muito tempo com o visual descontraído, hoje acordei logo pela manha com aquele necessidade de limpar de uma vez por todas o meu rosto. Já não aguentava ter que olhar ao espelho e ver alguém que eu desconheço por completo, um verdadeiro monstro. Inicialmente ainda pensei em fazer aquilo que sempre tenho feito, pegar na maquina de cortar cabelo e aparar os pelos. Mas a máquina é do meu irmão e como ele partiu para a Suíça, ele levou a maquina consigo. E como eu já estava a parecer um vagabundo, lá tive que pegar na velha gillette e com algum custo, eliminar os pelos indesejados. E não fiquei por aí. Com uma cara limpa, e depois de um bom banho, resolvi ir até ao Shopping perto da minha casa, entrei num cabeleireiro e lá cortaram-me o cabelo que já estava com uns caracóis demasiado compridos. Por isso hoje estou com um novo visual. Um visual mais fresco para de alguma forma aguentar melhor esse calor que tem feito nos últimos dias. Mas a pergunta fica no ar. Hoje sim senhor, eliminaste os pelos mas eles querendo ou não querendo vão voltar. E até quando eu vou aguentar manter esse visual limpo?! É que foi um sacrifício agarrar-me à espuma de barbear, torturar a minha pele com as laminas daquele gillette e no fim passar aquele creme (after-shave) que eu detesto. Será que terei coragem de em breve repetir esse sacrifício?! Um homem não merece uma coisa dessas. Não merece mesmo!!

Mas se esse é dos rituais masculinos que eu mais detesto fazer, há outros comportamentos que estão mais relacionados com os homens que eu não suporto. Como por exemplo, meter a corda no pescoço. Eu acho isso uma atitude deplorável. Se é para olhar e apreciar a elegância de um homem muito bem vestido com um fato e com a sua gravata, eu sou o primeiro na fila a querer olhar. Adoro homens engravatados. Ficam cheios de charme, super sensuais e se à gravata juntar-se ainda uns óculos, ai meu Deus!! Eu perco a cabeça com aqueles que têm um ar de intelectual. E se em relação aos óculos eu não tenho nada contra, aliás eu não me importava nada de usar óculos, o mesmo eu já não digo em relação à gravata. Odeio sentir a corda no pescoço. Já basta a corda imaginária que tenho à volta dele, tudo por causa desta crise insuportável. Eu já tive a infeliz ideia de trabalhar em três empresas onde era obrigatório ter que usar fatinho e gravata e foi muito complicado. Para começar eu não sei fazer o nó da gravata e no meu caso eu não fico nada sensual com aquele pedaço de trapo a trás. Devia ser proibido obrigar os homens a ter que usar gravata. As mulheres essas andam sempre como querem. Para elas é sempre casual friday e tudo nelas é aceitável. Para os homens o caso muda de figura e porquê? Não devíamos ser todos iguais? É em situações como essas que eu dava mesmo tudo - caso tivesse alguma coisa para dar - para ser uma verdadeira mulher.
Mas há outros comportamentos. Não sei bem porquê, mas homem que é homem vive com as asneiras na ponta da língua. Num pequeno diálogo com um homem eles não conseguem evitar, deixam sempre escapar um fo*#-se, um me#!&a, um car!#*o e tantas outras coisas. Acho tão feio um homem dizer asneiras. Aliás é feio em qualquer pessoa e então nas mulheres é pior ainda. Não sei qual é a necessidade de falarem assim. Eu jamais falei assim. No meu vocabulário não está presente essas palavras feias. Claro que elas passam muitas vezes no meu pensamento mas jamais as deixo sair cá para fora. Eu até teria vergonha de falar assim com os meus amigos. Não percebo como é que eles também não têm vergonha. Enfim... Outras das coisas feias nos comportamentos masculinos é o cuspir para o chão. Ai que coisa tão feia!! Lembro-me que quando era pequeno, alguns colegas da escola até faziam competições para ver quem cuspia mais longe. Odeio ver um homem a cuspir. A puxar toda aquela porcaria da garganta para depois expulsar cá para fora. Só de pensar nesse acto que infelizmente muitos homens ainda o fazem eu fico até mal disposto. Por isso o melhor mesmo é mudar de assunto. E claro, felizmente não se pode colocar todos os homens no mesmo saco. Há homens muito bem educados, que não dizem asneiras e nem cospem para o chão mas às vezes, também a esses homens educados lhes falta a pontaria na hora de mijar.

Fazer xixi em pé é algo que só os homens fazem. Bem! As vezes também aparece por aí umas senhoras a querer fazê-lo em pé mas comigo não há nada dessas coisas feitas em pé. Não terei vergonha nenhuma em dizê-lo, mas na hora do aperto, na hora de fazer seja qual for a necessidade, eu sou uma verdadeira lady e sento-me sempre na sanita. Se na rua às vezes sinto-me obrigado a comportar-me como um homem, na privacidade de uma casa de banho eu comporto-me como uma mulher. Nunca fui bom de pontarias, sempre fui um zero à esquerda e por isso, para não fazer o espectáculo horrível que muitos homens fazem, prefiro mesmo sentar-me. Até porque é bem mais confortável fazê-lo sentado, ou não?! Mijar em pé é um comportamento tipicamente masculino. Eles vão à casa de banho, muitas das vezes nem levantam a tampa da sanita e depois, em vez de mijarem para dentro da sanita, salpicam tudo ao redor. Que coisa horrível! Enfim...
Acho que ainda há muitos outros comportamentos masculinos, como por exemplo o facto de os homens gostarem de vangloriar-se em relação às suas conquistas. Para provar a sua masculinidade, eles, entre amigos, muito gostam de falar das mulheres com quem já tiveram. Que comportamento tão feio! Depois há ainda aqueles homens que tem um comportamento de agirem como umas autênticas crianças quando compram um brinquedo novo ao comprarem um telemóvel novo, um computador, uma televisão ou seja lá o que for. Mas há outros que agora não me estou a lembrar mas pode ser que tu te lembres. Este artigo já está a ser demasiado longo e por isso é melhor ficar por aqui.
Termino dizendo que independentemente do homem ter barba ou não, de falar grosseiramente ou não, de ser um porco e cuspir no meio da rua, ou arrotar em frente a todos, a verdade é que nós não conseguimos resistir aos encantos dos homens. Pois não?!
E este foi o primeiro Vida[in]Feliz do REVISTAGAY. Está é uma nova secção do blog, um espaço onde eu irei deitar cá para fora alguns desabafos, opiniões, angustias, enfim, tudo o que me apetecer dizer, eu vou dizê-lo aqui. Claro que como em qualquer artigo do blog eu vou querer contar com os vossos comentários, por isso se gostas-te deste novo espaço. Se identificas-te com algumas das coisas ditas aqui neste artigo, então não hesites em comentar. O Vida[in]Feliz regressa em breve com uma nova crónica, por isso fica atento às constantes novidades do blog.